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Mostrando postagens com o rótulo Crônica

Papo de Mulher

  - Menina, deixa eu te contar que hoje aqui no trabalho os rapazes decidiram organizar uma homenagem para o dia das mulheres. Trouxeram flores, bombons e cartõezinhos cor-de-rosa, você precisava ver, falando da nossa importância como mães e trabalhadoras incansáveis que somos. - Olha, amiga, cansada eu tô de ouvir dizerem que sou incansável. Se dormisse uma semana inteira não daria conta de recuperar o cansaço que tenho acumulado. - Nem me fale, tô igual a caminhoneiro, só na base do rebite, se eu me encostar num poste te juro: durmo em pé. - E você acredita que o meu marido me disse que eu estava parecendo um panda por causa das minhas olheiras? Ah! Aí eu virei foi num dragão, cuspindo fogo de raiva. Então ele veio todo carinhoso pro meu lado me perguntando se eu queria ajuda para preparar o jantar. Que Deus me ajude a ter paciência, viu! - E como! Os homens estão sempre falando em ajudar. Ajudam com a louça, com a casa e com os filhos. São exímios ajudantes, só não se re...

Linhares o Presidente do Brasil

  Já a algum tempo quando eu ainda era acadêmico de Letras conheci o Linhares, um sujeito afrontoso e desagradável até no cheiro. Tinha uma fala ríspida e agressiva combinada com as cusparadas esbravejantes que lançava em seus interlocutores. Era dado a uma pseudo erudição e buscava no dicionário palavras arcaicas para espalhá-las em seus soníferos sonetos. Julgava-se um artista incompreendido e acreditava que a vida no exterior lhe daria o prestígio que tanto merecera. Tirava notas regulares suficientes para não reprovar, mas julgava os professores biltres e ignóbeis incapazes de acompanhar a complexidade de seu pensamento e a genialidade de seu talento. Eu que na minha ingenuidade não ligava para seus rompantes acalorados até o achava engraçado e me compadecia da exclusão que vinha dos demais colegas e da aversão que lhe tinham os professores. Lia alguns de seus cansativos poemas e o convidava a participar dos trabalhos em grupo quando percebia que todos o isolavam. No fundo el...

Carta ao filho que não terei

  Querido filho, Perdoe-me por não havê-lo trazido ao mundo, mas haverá de concordar comigo e talvez até seja grato por livrar-lhe desta enrascada. Explico-me. Sendo seu abdicado pai um brasileiro nascido no século XX e adentrando ao século XXI pude chegar à vida adulta, nascendo numa ditadura, passando pela redemocratização, inflação galopante, escândalos políticos, impeachments, desigualdade social e obscurantismo. Deveríamos ser o país do futuro, cada vez mais repetimos o passado. Com as últimas eleições até a democracia passou a representar um sinal de perigo, e a vontade da maioria estava em sobrepujar os que fossem minoria. A guerra foi declarada através de correntes de WhatsApp, postagens no Twitter e discursos de incitação ao ódio e a violência. Os almoços em família nunca mais seriam os mesmos, pais se voltaram contra os filhos e estes se afastaram ainda mais de seus progenitores. O país entrou numa distopia e a razão deu lugar ao absurdo, passamos a acreditar em teo...

Assépticos

- Querida, me passa álcool gel, por favor? - Claro, meu bem, você me alcança a máscara, por gentileza? - Aqui está. - Como assim aqui está? Onde estão suas luvas, não as usa mais? - Uso, mas é que... - Mas é o quê? Coloca já essa máscara no lixo. - Credo, querida, até parece que testei positivo para esse vírus. - Você testou positivo para a displicência e, por causa disso, hoje você vai dormir no sofá. - Como assim no sofá, só por causa de um mísero descuido desses? - Por descuidos como esses, muitos estão morrendo por aí. - Sim, mas não aqui em casa. - Como vou saber? Toda vez que eu confiei em você eu me arrependi. Lembra-se de quando você esqueceu o Enzo dentro do carro?   E a vez que a Valentina ficou até à noite na porta da escolinha te esperando. Por causa disso, a coitadinha não quis mais ir para aula, e gastamos uma fortuna com terapia. - Mas o que tem a ver uma coisa com a outra? - O que tem a ver é que eu não vou me contagiar por sua culpa, já ...

Na Volta da Escola

Eu sempre gostei de animais, cachorros, gatos, papagaios e até de peixes, mas não muito porque eles ficam lá nadando, nadando e nada mais. Outro dia eu estava vindo da escola e de longe eu vi um cachorrinho todo peludinho, foi amor à primeira vista. Ele abanava o rabo e pulava de alegria. Eu era só afago em seu pelo macio. Brincamos tanto que nem vi o tempo passar, quando a gente é criança o tempo é outro, diz minha mãe. Acho que ela tem razão, pois quando percebi ela vinha toda aflita e aos berros ao meu encontro. Mal pude me despedir do meu novo amigo que virou essa lembrança de agora e que eu não esqueço nunca, nunquinha.      

Selfie

O que você vê atrás de uma selfie? Essa é a pergunta que me faço cada vez que alguém pega do celular e o direciona para o seu rosto. O que a foto não revela? O que está por traz desse gesto? Vaidade, narcisismo, vazio? Ou apenas o condicionamento de um gesto involuntário impulsionado pelos padrões de comportamento de uma sociedade imagética?   Tira outra, olha, repete a ação o sorriso congelado, a felicidade instantânea o registro para o outro sempre para outro, para sua aprovação, seu like, quanto mais, melhor, o reconhecimento daquilo que aparento, ou busco aparentar, quase nunca do que sou. Afinal a realidade raramente é tão bela quanto à selfie que fazemos dela. A vida é um flash.  

Do avesso

Era um país desajeitado, mas que tinha um jeitinho para tudo inclusive para sua falta de jeito para com certas gentes que lá viviam. Bater e assoprar eram gestos indissociáveis, corriqueiros e até banais. Lá preto tinha alma branca, empregada doméstica era tida como da família, mulher apanhava de marido, mas era por amor, pobre era indigente, mas contava com a caridade de seu semelhante. Diziam que lá era o paraíso e que Deus estava entre os seus pela força da fé não havia o que duvidar. Tinha um Cristo redentor, uma padroeira dos milagres, e santo por toda a parte. Seu sistema político se resumia em um único modelo vigente desde sua constituição e funcionava muito bem desde que seus habitantes possuíssem muitos bens para os demais nada de peixe o correto era ensinar-lhes a pescar (geralmente sem vara). Havia nesse povo uma espontaneidade de causar graça, pois para toda a regra tinha uma exceção e a interpretação das leis se dava conforme o infrator. Absolvição era o veredito comum e...

Monólogo

Que barulho é esse!? Que barulho é esse!? Me deixe falar, por favor, eu preciso falar.  Estou preso a um mundo medíocre, insensível e nefasto. Quero sair! Quero sair! Tem alguém aí que pode me ouvir? Ninguém me ouve. Estão todos preocupados demais em falar. Falar a quem? Falar o quê? Palavras, palavras... soltas, sem sentido, ofensivas, palavrões. Estamos todos conectados e ninguém mais se comunica. Alô, alô Terra chamando?! Haverá civilização no planeta dos macacos? Haverá comunicação na Terra dos papagaios? Não, parece que estão todos papagaiando. Quem disse? A revista semanal.  Vi também no jornal. Mas é verdade? A verdade é um ponto de vista, ou de interesse.  Mas a notícia não tem que ser imparcial? Sim, é o que dizem. Toda a notícia é imparcial. Assim como a sua opinião. Hahaha...A sua opinião formada por correntes, memes e fake news. Juro por deus que é tudo verdade. Falsa é apenas a minha percepção de mundo. Estou preso a essa percepção, agora e...

Quarenta

Lá se vão quarenta anos, dizem que é agora que a vida começa. A vida eu não sei, mas essa crônica sim. Numa boa expectativa começamos o segundo tempo sem intervalo de descanso, torcendo para que o jogo melhore ou o juiz não decida interromper a partida. Também não sei porquê a analogia ao futebol uma vez que nem o acompanho, deve ser porque este é um ano de copa assim como em 1978. Só falta dar Argentina de novo. Bateria na madeira se fosse supersticioso, mas quatro décadas foram suficientes para extirpar de mim qualquer tipo de crendice. Acredito apenas em pessoas sinceras, emoções verdadeiras e na capacidade de me adaptar frente às vicissitudes do cotidiano. Viver é uma arte, haja criatividade. Olho para trás e comemoro algumas conquistas, mas me arrependo de várias atitudes. Então, busco o equilíbrio na balança do presente. Perfeição está na busca nunca em nós. Aprendi que o que se planta colhe e que não existe almoço grátis nem se você for convidado. A vida cobra seu preço, ten...

A fé que me guia

Eu que desde criança acreditei em tantas coisas: Fada do dente, duende, Saci-pererê, assombração, Papai Noel, nesse pelo menos fingia que acreditava só para garantir o presente de fim de ano, além do mais sempre fui uma criança obediente. A revolta só se despertou em mim na adolescência, coração partido, desilusão. Porém a dor se tornou crônica quando passei a crer em jornal, revista, publicidade. Teve uma vez que acreditei em promessa eleitoral, o sofrimento durou quatro longos anos seguida de uma profunda sensação de culpa. A partir daí comecei a ficar mais desconfiado, maldição de eleitor arrependido.   Neste momento percebi a miserável condição humana. Então, transferi minhas crenças para algo etéreo, divinal, mas com o tempo me pareceu que eu voltara a acreditar em Papai Noel, só que de forma mais ingênua agora. Aí me tornei niilista, anarquista, do contra. Acredite se quiser. Hoje em dia acredito em mim, mas com algumas ressalvas, claro, também acredito que a vida pode ser ...

A escola da minha época

 Na minha época a escola era um pouco diferente do que é hoje. Havia alunos excelentes, bons, razoáveis e eu. Também havia professores bonzinhos e outros nem tanto, adorávamos o pátio, a biblioteca e o refeitório, até a sala de aula era divertida dependendo da professora, porém a direção era vista como um local pavoroso, uma espécie de tribunal da inquisição para onde mandavam todos aqueles que não sabiam se comportar. Tínhamos mais medo da direção que das casas mal assobradas que existiam naquela época. O diretor era o ser mais assustador de toda a escola e ninguém se atrevia a encará-lo de frente. Ao contrário esquivávamos de sua presença sempre o víamos.   Na escola aprendíamos as letras, os números, educação moral e cívica, OSPB e mais um montão de coisas que não sabíamos bem ao certo para quê? Decorávamos a tabuada, as capitais e as declinações verbais, no inglês o verbo to be, infelizmente não era o de Shakespeare. Já a série Vaga-Lume iluminava nossa imaginação. M...

Quem gosta do paraíso não trepa em macieiras

Entre o instinto e os sentimentos há um abismo de sofrimento e lamentações. O homem sofre por querer o plural à mulher padece por ser singular.  No jogo dos desejos a aposta é sempre alta e o risco eminente. Ninguém quer magoar, ferir os sentimentos, sobretudo de quem se ama, mas o diabo é uma serpente ardilosa e a maçã parece tão suculenta quanto venenosa. E quando se percebe adeus paraíso. Difícil consertar o que se quebra, e quando quebra, parece perder o valor. Qual a justificativa para a traição? Judas segue sendo malhado até hoje, nunca trinta moedas de prata custaram tão caro com juros que vencem os séculos. O sofrimento de quem foi traído se estende a nós e sua angústia sufoca o nosso coração. Nesta hora o arrependimento é tudo o que nos resta e a solidão nos dá a dimensão do tamanho de nossa miséria. Não há punição mais severa que a própria consciência de quem errou. E nesse momento tudo o que se deseja é voltar atrás, apagar o passado, recomeçar. Mas como? Viver é so...

O click do bem contra o mal

De boas intenções o inferno da internet anda cheio e cada um tem sua opinião para postar no facebook ou twitter.  Sempre há um encalhado dizendo o quanto é bom ser solteiro já que ninguém é capaz de atender suas mesquinhas exigências afetivas. Antes só do que mal acompanhado, a regra também vale para o acompanhante mais atento e disposto a uma verdadeira felicidade conjugal de decepções já bastam o futebol e a política. Repleto de boas intenções também está o cidadão de bem, conservador politizado que em nome da moral e dos bons costumes não tolera o desrespeito de quem afronta a ordem social. Minorias não representam a maioria que é grande e fala com a autoridade de quem dita a verdade, doa a quem doer. Esse honorável exemplo de retidão com todo o senso de justiça que possui é a favor do porte de armas em defesa de seus bens e família. Para ele o que vale é a lei de Talião olho por olho dente por dente. Já os índices de violência gratuita e tragédia doméstica são um preço bai...

Receita para o sucesso

O país anda tão cheio de discurso da prosperidade que qualquer derrotado anda palestrando sobre como ser um vencedor.  Basta chegar à porta de qualquer igreja evangélica e se ouvirá aos brados o projeto de sucesso que Deus tem para você, crê e confia, mas não se esqueça da oferta, grandes desejos pedem muito sacrifício e o céu é o limite.  As redes sociais também estão repletas de bem sucedidos, pessoas que ostentam as mais variadas conquistas, o corpo sarado atende aos padrões estéticos de boa forma e beleza esculpida a base uma nutrição insonsa, quando não duvidosa, e exercícios repetitivos de academia de frente ao espelho, muitas vezes acompanhadas de fotos ou vídeos com frases de superação e incentivo. Curtam os meus bíceps, amem o meu bumbum, pois se a foto flopar eu vou deletar. Irresistível também é não postar o êxito de passar na segunda ou terceira chamada naquele curso de graduação de uma faculdade privada onde mensalidade em dia cobre a falta de um eventual inter...

O reflexo no espelho ou Alice, o buraco aqui é mais embaixo ou Brasil um país de torpes ou Os incomodados que se mudem

“O Brasil não é para principiantes” a frase de Antônio Carlos Jobim, um de nossos maiores nomes da música brasileira, define de maneira enfática e precisa o comportamento sócio cultural brasileiro. Viver em terras tupiniquins é ter certeza da incerteza, é cair na toca do coelho e ver a fantasia dar lugar a realidade, é encontrar no absurdo seu lugar comum, é fazer da cordialidade a oposição da polidez e, da ética, discurso vazio de intolerância ou discriminatório. Principiantes não há princípios desde o principio! Se contar ninguém acredita, a expressão se mantém autêntica mesmo desgastada, reflexo dos paradoxos brasileiros, uma vez que de fato ninguém acredita, como por exemplo: quando um sortudo de um deputado ganha mais de duas centenas de vezes na loteria, milagres acontecem, sobretudo num país tão devoto quanto o nosso, os pastores que o digam, com seu discurso de prosperidade prosperam que é uma beleza, compram horário em emissoras de TV, constroem templos, e edificam fortunas...

O caminho das Índias passa por aqui

Esta crônica foi feita na época da novela Caminho das Índias e retrata algumas das similitudes entre Índia e Brasil no que tange ao preconceito e a discriminação social.  _ Pois é rapaz, eu depois de acompanhar alguns capítulos da novela das oito, não por opção, mas por falta dela, já que neste horário quem detém o mando inquestionável do controle remoto é minha mulher, ando pensando nesse negócio de castas que tem lá na Índia. _ Ah é... _ É, acho que nós aqui no Brasil não vivemos muito diferente daquela gente das índias. _ Pois eu discordo, onde já se viu vivermos como aquele povo sujo e bagunçado. Você já viu o que é o trânsito naquele lugar? _ Bom, trânsito por trânsito, acho até que proporcionalmente o nosso mata mais que o deles, mas não é só em relação ao trânsito que me refiro, falo também sobre a questão da desigualdade que enfrentamos. _ Espera aí, não vamos comparar, vivemos num país democrático, ou o voto de um vale mais que o do outro? Vale!? Claro que não...

As idas e vindas do amor

Tudo começa com uma troca de olhares, e neste instante, mágico para alguns mais românticos, temos a sensação de que pode estar ali a nossa cara metade, a tampa da nossa panela, o chinelo que mesmo meia sola parece na medida para nossos pés já cansados, rachados ou até com chulé. Então, pulamos de cabeça, ainda que alguns mais receosos entrem na ponta dos dedos, o que é uma prevenção inútil, já que inevitavelmente acabamos por mergulhar por inteiro no caudaloso lago da paixão e onde terminamos por nos afogar num mar de lágrimas e destilados que nos é servido com placebo sobretaxado na penumbra de um bar de baixa classe na vida boêmia de qualquer periferia da cidade. Num primeiro momento do nosso conto de fadas o sexo é ardente e a tolerância eterna, o que ameniza rusgas e desavenças eventuais. O ser amado beira a perfeição, e se não leva auréola é porque não é dado aos santos o direito de amar como a nós seres de carne e sangue.  A paixão é indicada para altos níveis de estres...

Trabalho hercúleo

Outro dia a professora de português mandou a gente ler dois diferentes textos e fazer um terceiro sobre o mesmo assunto. A tarefa causou queixas e arrepio, muito embora a gente já estivesse no Ensino Médio, portanto, ler e escrever não deveriam ser algo tão complicado, ainda mais para quem já está há tanto tempo na escola. Porém, e sempre há um porém, tempo de escola, necessariamente, não significa domínio da escrita, e assim como que numa equação sem solução eu também não encontrava jeito de resolver as atividades da aula de português. Tudo me parecia tão nublado e confuso que as palavras não encontravam nexo nem entre um sujeito e seu predicado. Puxa vida, pensei, por onde andará o sentido de minhas palavras. Procurá-lo na confusão dos meus pensamentos era como encontrar uma agulha no palheiro. Então revolvi voltar aos outros dois textos. Algumas releituras e a mesma insegurança depois, eu pensei, não tem jeito vou ter que começar logo isto ou nunca vou conseguir passar na matéri...

Coletiva de imprensa

Expectativa, suspense, sussurros e burburinhos... A sala estava lotada de jornalistas, que para ganhar o pão de cada dia esperavam horas (ela estava atrasada) para ouvir o que a ex-colega tinha a dizer. Enquanto esperavam, alguns comentavam que a conheciam dos tempos das “vacas magras”, quando ela, assim como eles, espremiam-se e acotovelava os concorrentes, fazendo de tudo para chegar mais perto do alvo, tentando conseguir uma informação importante e, quem sabe com sorte, um “furo”.Uma dessas ex-colegas, olhando por cima dos óculos para leitura comprados em farmácia, dizia: --Parece que ela conseguiu chegar bem perto do “furo”, hein? Enquanto o outro, com uma coxinha de galinha na boca tentava fazer uma piadinha: -- Mas quem acabou “furada” foi ela... – disse ele, esboçando um sorriso galináceo, que não foi correspondido. -- Essa aí foi esperta... e peituda. Tem que ter coragem pra fazer o que ela fez. -- Coragem e outras “cositas más”. – disse outro, aproximando-se da mesa de s...

Direito de imagem

Esta crônica foi escrita há alguns anos em virtude de uma reportagem da TV Globo, em que um ladrão roubava fios de cobre num viaduto em plena luz do dia, indiferente aos transeuntes, que também se punham indiferentes ao delito. Pô mó sacanagem meu irmão! Tão pensando que isso é zuera, porra! Tava eu lá no maior empenho pra tirar aquele caralho daqueles fio de iluminação do viaduto pra levantar um trocado ai pras necessidade, ta ligado, no maior sol eu de picareta e o diabo a quatro, dando altos trampo pra recolher o produto e não é que me vem um fdp dum repórter da Globo, o cara, querendo filmar o flagrante, querendo me expor pros homi, copio, aquilo me deu nos nervos, ta ligado, porra ninguém ali tava falando nada a galera que passava guardava maior sigilo, de boa é cada um na sua entende? A vontade que eu tava era de pegar aquela picareta e arrebentar nos corno daquele desgraçado, mas ai ia atrapalhar todo empenho e eu corria o risco de perder o bagulho, ta ligado. Daí foi que ...