Trabalho hercúleo
Outro dia a professora de português
mandou a gente ler dois diferentes textos e fazer um terceiro sobre o mesmo
assunto. A tarefa causou queixas e arrepio, muito embora a gente já estivesse
no Ensino Médio, portanto, ler e escrever não deveriam ser algo tão complicado,
ainda mais para quem já está há tanto tempo na escola. Porém, e sempre há um porém, tempo de escola, necessariamente, não significa domínio da escrita, e
assim como que numa equação sem solução eu também não encontrava jeito de
resolver as atividades da aula de português.
Tudo me parecia tão nublado e confuso que as palavras não encontravam nexo nem entre um sujeito e seu predicado. Puxa vida, pensei, por onde andará o sentido de minhas palavras. Procurá-lo na confusão dos meus pensamentos era como encontrar uma agulha no palheiro. Então revolvi voltar aos outros dois textos.
Tudo me parecia tão nublado e confuso que as palavras não encontravam nexo nem entre um sujeito e seu predicado. Puxa vida, pensei, por onde andará o sentido de minhas palavras. Procurá-lo na confusão dos meus pensamentos era como encontrar uma agulha no palheiro. Então revolvi voltar aos outros dois textos.
Algumas releituras e a mesma
insegurança depois, eu pensei, não tem jeito vou ter que começar logo isto ou
nunca vou conseguir passar na matéria de português. Arrisquei um primeiro
parágrafo de introdução e meia dúzia de folhas foi lançada a lixeira. Algumas
tentativas mais e eu já estava pensando numa boa justificativa para contar a
professora o porquê de eu não ter feito a tarefa.
Cogitei em confessar-lhe que eu não era
capaz de escrever aquele texto, que minha opinião, geralmente irrelevante,
raramente seria consultada por quem quer que seja e mesmo que fosse eu me
reservaria o direito de não opiná-la, mas desconfio que meus argumentos, seriam
facilmente refutados, não me restando outra opção que não produzir o tal texto
que me livraria de um zero na sua avaliação.
Retomei a escrita agora decido a levar
adiante e acabar de vez com aquele sofrimento, lembro-me que o primeiro
parágrafo saiu um quanto tanto desajeitado, o segundo meio tímido e o terceiro
foi descartado, tudo isso em meio a várias idas ao banheiro, checagens de
celular e assaltos à geladeira, descobri que escrever dá fome, tanto é que
quando a geladeira esvaziou passei a roer as próprias unhas até me sobrarem só os tocos do mindinho ao polegar.
Faltava-me a conclusão e isso não
estava sendo fácil, eu era bom em terminar filmes, jogo e até namoricos, mas
redação, isso não, redigir tinha se tornado até então, o maior e mais chato desafio de minha vida, se bem que ela nunca foi tão emocionante assim, e o
máximo de aventura que me submeti foi fazer desafios mentais do tipo, tentar chegar até a esquina antes que o carro passasse do poste e eu morresse. E assim, acelerando como um automóvel que nos deixa para
trás com nossa imaginação fútil, decidi por um ponto final no texto, e acabar de vez com essa história amanhã na aula de redação ela continua.
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