Resenha: A Hora da Estrela – Clarice Lispector
“Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno” Ninguém sai indiferente a narrativa de Clarice Lispector, impossível não se impactar com seu estilo literário. (explosão). Em seu último livro A Hora da Estrela a autora lança mão de um narrador em terceira pessoa, Ricardo SM, que busca se reconhecer através de uma protagonista que o desafia a superar suas possibilidades para contar uma história que vai além de um retrato social. “Porque escrevo sobre uma jovem que nem pobreza enfeitada tem? Talvez porque nela haja um recolhimento e também porque na pobreza de corpo e espirito eu toco a santidade, eu que quero sentir o sopro do além para ser mais do que eu, pois tão pouco sou.” A mesma sensação de ausência invade o leitor ao simpatizar ou reconhecer-se em Macabéa, esse é seu nome recebido em homenagem a Nossa Senhora da Boa Morte (ironia) por conta de uma promessa de sua mãe. Ela “vinga” deixa o sertão de Alagoas e vem morar no Rio de Janeiro, empregando-se como datilógrafa em uma...