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A escola da minha época

 Na minha época a escola era um pouco diferente do que é hoje. Havia alunos excelentes, bons, razoáveis e eu. Também havia professores bonzinhos e outros nem tanto, adorávamos o pátio, a biblioteca e o refeitório, até a sala de aula era divertida dependendo da professora, porém a direção era vista como um local pavoroso, uma espécie de tribunal da inquisição para onde mandavam todos aqueles que não sabiam se comportar. Tínhamos mais medo da direção que das casas mal assobradas que existiam naquela época. O diretor era o ser mais assustador de toda a escola e ninguém se atrevia a encará-lo de frente. Ao contrário esquivávamos de sua presença sempre o víamos.   Na escola aprendíamos as letras, os números, educação moral e cívica, OSPB e mais um montão de coisas que não sabíamos bem ao certo para quê? Decorávamos a tabuada, as capitais e as declinações verbais, no inglês o verbo to be, infelizmente não era o de Shakespeare. Já a série Vaga-Lume iluminava nossa imaginação. M...

Quem gosta do paraíso não trepa em macieiras

Entre o instinto e os sentimentos há um abismo de sofrimento e lamentações. O homem sofre por querer o plural à mulher padece por ser singular.  No jogo dos desejos a aposta é sempre alta e o risco eminente. Ninguém quer magoar, ferir os sentimentos, sobretudo de quem se ama, mas o diabo é uma serpente ardilosa e a maçã parece tão suculenta quanto venenosa. E quando se percebe adeus paraíso. Difícil consertar o que se quebra, e quando quebra, parece perder o valor. Qual a justificativa para a traição? Judas segue sendo malhado até hoje, nunca trinta moedas de prata custaram tão caro com juros que vencem os séculos. O sofrimento de quem foi traído se estende a nós e sua angústia sufoca o nosso coração. Nesta hora o arrependimento é tudo o que nos resta e a solidão nos dá a dimensão do tamanho de nossa miséria. Não há punição mais severa que a própria consciência de quem errou. E nesse momento tudo o que se deseja é voltar atrás, apagar o passado, recomeçar. Mas como? Viver é so...

O click do bem contra o mal

De boas intenções o inferno da internet anda cheio e cada um tem sua opinião para postar no facebook ou twitter.  Sempre há um encalhado dizendo o quanto é bom ser solteiro já que ninguém é capaz de atender suas mesquinhas exigências afetivas. Antes só do que mal acompanhado, a regra também vale para o acompanhante mais atento e disposto a uma verdadeira felicidade conjugal de decepções já bastam o futebol e a política. Repleto de boas intenções também está o cidadão de bem, conservador politizado que em nome da moral e dos bons costumes não tolera o desrespeito de quem afronta a ordem social. Minorias não representam a maioria que é grande e fala com a autoridade de quem dita a verdade, doa a quem doer. Esse honorável exemplo de retidão com todo o senso de justiça que possui é a favor do porte de armas em defesa de seus bens e família. Para ele o que vale é a lei de Talião olho por olho dente por dente. Já os índices de violência gratuita e tragédia doméstica são um preço bai...

Receita para o sucesso

O país anda tão cheio de discurso da prosperidade que qualquer derrotado anda palestrando sobre como ser um vencedor.  Basta chegar à porta de qualquer igreja evangélica e se ouvirá aos brados o projeto de sucesso que Deus tem para você, crê e confia, mas não se esqueça da oferta, grandes desejos pedem muito sacrifício e o céu é o limite.  As redes sociais também estão repletas de bem sucedidos, pessoas que ostentam as mais variadas conquistas, o corpo sarado atende aos padrões estéticos de boa forma e beleza esculpida a base uma nutrição insonsa, quando não duvidosa, e exercícios repetitivos de academia de frente ao espelho, muitas vezes acompanhadas de fotos ou vídeos com frases de superação e incentivo. Curtam os meus bíceps, amem o meu bumbum, pois se a foto flopar eu vou deletar. Irresistível também é não postar o êxito de passar na segunda ou terceira chamada naquele curso de graduação de uma faculdade privada onde mensalidade em dia cobre a falta de um eventual inter...

O reflexo no espelho ou Alice, o buraco aqui é mais embaixo ou Brasil um país de torpes ou Os incomodados que se mudem

“O Brasil não é para principiantes” a frase de Antônio Carlos Jobim, um de nossos maiores nomes da música brasileira, define de maneira enfática e precisa o comportamento sócio cultural brasileiro. Viver em terras tupiniquins é ter certeza da incerteza, é cair na toca do coelho e ver a fantasia dar lugar a realidade, é encontrar no absurdo seu lugar comum, é fazer da cordialidade a oposição da polidez e, da ética, discurso vazio de intolerância ou discriminatório. Principiantes não há princípios desde o principio! Se contar ninguém acredita, a expressão se mantém autêntica mesmo desgastada, reflexo dos paradoxos brasileiros, uma vez que de fato ninguém acredita, como por exemplo: quando um sortudo de um deputado ganha mais de duas centenas de vezes na loteria, milagres acontecem, sobretudo num país tão devoto quanto o nosso, os pastores que o digam, com seu discurso de prosperidade prosperam que é uma beleza, compram horário em emissoras de TV, constroem templos, e edificam fortunas...

Antíteses

Eu sou o que já foi e o que ainda não veio. O certo e o errado O caminho do meio percorrido só por entre a multidão. Eu sou calmaria e também furacão. A partícula atômica e a Grande Explosão. O início de tudo o fim e o nada.

Feliz ano velho

Ano novo: vida nova promessa antiga.